Cafe, xicara, cor preta, bolhas brancas
fumacinha dancando, tonalidade fosca
nitida o reflexo da cortina
de crochet talhando a figura
e uma garrafa d'agua vazia.
um dia cinza um outro reflexo
em branco velho desbotado
o cafe quente esperando a mao
que escreve mudar de ideia
e resolver toma-lo.
desmantelando a verdade
nada e tudo, corriqueiro, chuveiro
la fora ligado, desligo do papel e canto
aplaudindo o encanto de ontem
quantas passagens em vao.
vazio entre os armarios da escada
a pintura inoportuna do violao alterada
pode ser mentira surrealista
indecisao possivelmente nao, enfim eu me realizo.
o cafe termina. a vida comeca, na chuva infinita de rimas toscas.
