Tuesday, August 25, 2009

ano do Boi 2009!


Boi boi boi
boi da cara-preta pega essa menina que tem medo de careta


Thursday, August 20, 2009

Eu vou rasgar
Meu coração
Pra costurar o teu

Monday, August 17, 2009

honey, it just can't be.

A volta da mulher morena - Vinícius de Moraes


A volta da mulher morena

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena
Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos.
Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes
Traze-me para o contato casto de tuas vestes
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!

Saturday, August 15, 2009

s/t

Cheguei na sala, pus o telefone no ouvido, e a ligação estava horrível, sua voz escutei baixinha.. pedi fala mais alto, um pouco mais alto, não escuto. e derrepente percebi que gritava: Acabou. ACABOU. eu quis desligar, mas perguntei, porque? foi minha reação, não era consciente.
se fosse agora, talvez teria desligado. pra te fazer
pensar a respeito. Mas naquela hora quem ficou pensando fui eu. Vc só repetiu, e acrescentou, não dá mais.
Isso deveria bastar, o seu não dá mais, deveria ser suficiente, eu não acreditei.

e talvez tenha sido isso que me tirou as palavras da boca, essa q vc beijou tantas vezes, e na conversa dizia, q não ia mais. eu quis argumentar. mas ainda gosto de vc. não tive por onde.
estava dito. e era uma decisão. decisão, se persuade. aceita, ou sinaliza talvez um novo jeito, de um jeito leve. pra não parecer que estamos em posições absurdamente opostas. eu sei lá o que quis. talvez concordasse, agora concordo. poderia ter sido diferente. e eu queria ter te perguntado, se havia encontrado alguém melhor? se não se precipitava por não saber do futuro? ou se não se atrasava? se sabia mesmo que era mesmo isso que queria, pois podia querer outra coisa, daí me diria, e podíamos encontrar juntos um caminho pra esta coisa.
quis achar uma terceira razão, não acreditei que a corda se rompia. não por minha parte. e partia, não por que não me quisesse. quis partir de novo, pra mais longe.
entendi, que precisava voltar. pra poder abraçar, e ver onde dava.
Não sei, bem porque. Ao desligar, telefone no gancho voltei a assistir tv. e você foi ficando distante. como já deveria estar.
ou como a realidade me mostrava, e eu imersa em fantasia, não quis acreditar no que já fomos um dia.

e não precisamos mais repetir.
erros existem pra encontrar o que é certo. se um beijo faltou ou se sobrou uma vontade a mais. uma saudade. eu sei agora, ficou pra trás, um passado que vai ainda demorar a passar.
pessoas juntas, construindo passados. são passos de um caminho, que não podíamos prever.
se escurecemos, agora, é pra nos proteger.

eu não vou retornar, nem a ligação.
nem pro seu olhar. viveremos distantes.
até redescobrirmos uma maneira
de nos amar, sem mais ouvir, ou falar. Acabou.

Friday, August 14, 2009

um dia sim.

eu posso encher uma sala de besteiras
e uma cela de loucuras
posso encher um mar com lágrimas
e uma era com desculpas

jamais estou preenchida
me anulo, me anula
a vontade do futuro
desprezo no presente

queria que fosse o fim
nem o fim pode ser tão ruim
queria acabar, eu já fui

e ainda se voltar não vai ser igual
e ainda se quisesse não sei mais [querer]

talvez determino coisas sem
necessidade

afinal é tudo tão bobo, em mim
que a lágrima escorre sem ser percebida

vou beber vinho e te esquecer
vou casar numa ilha, vou morrer

Tuesday, August 11, 2009

ouvindo mineiros..

de tudo se faz canção..

viagem de ventania, embarco numa rotina
de tombos em disfarces contraditórios me
entrego, mas vc não está aqui pra receber
talvez tudo o que eu queria dizer nunca vai
ouvir eu sei, ou virá enquanto estou partindo
e não sei escutar vc que perde o ar com
calma em um olhar que me desvia, eu
já sentia tanta gente numa distância tantas
ondas e esses ventos que levam o que não
tinha mais lugar espaço de um sentimento
sem tempo pra se encontrar sei o que lá
mas me deixa feliz até por não saber me
perder quando nem me achei ou te achar
quase sem querer dentro aqui quando não
tinha mais pra onde fugir eu vou correr
e te abraçar num sonho que não
envelhece

Sunday, August 09, 2009

em londres

dividir a dúvida?
não não devia.. porque quando era já nem precisava..
será que pago pela alegria que já tive?
será que faz parte de mim, toda a insistência, em ser triste?
não não dispenso atenção, ou marasmo
o que faço do meu futuro é incógnita
mas eu sei quem me desfaz e sei do desconforto
de ser só um, e um só tão longe..

Saturday, August 08, 2009

somos assim presentes de uma atual realidade
é assim inconfundível o tempo a distância o movimento
foi o que era pra ser e tem sido assim quase como sempre
mas na eternidade não tem lugar para uma ideia infinita
embora tudo esteja acontecendo nem tão importante
serão nossos olhares em reflexo na retina

vc não está nos meus sonhos

estive pensando nunca mais te ver
estive tão longe em lugares que nunca imaginei
não sei pra onde vou não sou turista, nem sou ator
vivo num segundo imerso num abismo que desconfio não ser aqui
mas a certeza do vazio e a dúvida do ser e do ir
são o que cultivo de melhor pra mim

sei que quando vier vou estar onde vc não vai chegar a me ver
sei das pedras e dos espinhos que deixamos pra trás cortam
quando voltamos
por que deviam ser podados. deviam?
mas de tanto ser assim

quando chegar aqui não estarei. bobagens vou estar onde quiser.
se não quiser ver. não te verei. é só fechar os olhos.

Thursday, August 06, 2009

pára-quedas numa exceção

então estavam prontos, tinham um pára-quedas cada um, e joelheiras, sentiam no estômago aquele frio, enquanto o avião subia parecendo um elevador rápido demais, alguém mastigava um chiclé sem gosto. os olhos se procuravam e desviavam como se quisessem criar um ponto de apoio pra o que estava preste a ocorrer. uma verdade devia ser dita, só para no caso do pára-quedas não abrir. eram menos sinceros nessa hora. e o piloto já estava cansado das frases clichê de eu te amo e tal. então se ouviu um grito, EU TE TRAI COM TEU MELHOR AMIGO, A NOITE PASSADA! e pulou. aquela ventania e a tensão de antes se esvaziavam com a pressão atmosferica, era tudo escorrendo do corpo e a leveza do cair cair cair cair. tal alice na toca do coelho, até surgir o sorriso do gato. e um grito EU JÁ SABIA! e os olhares se procuravam, aquela vista lá de baixo ficando maior, o desespero saboroso de cair cair cair cair que desprende as falsas noções de realidade podia ser tudo fantasia. não pensavam. sentiam. TE AMO! e quase juntos falaram TE AMO! outra vez. o sorriso se estendeu...
um sorriso feliz, um se agarrou no outro, e abriram os pára-quedas num abraço.
um abraço seguro de quem não teme a tristeza, nem se apega a bobagem de ser alguém sem asas. voam juntos.


o que ficou pra resolver: não foi jamais discutido.
dialogaram com vinhos, e violões.
era pra ser pra sempre, mas o sempre não existe,
se entendiam com os olhos.
e naquele dia não teve chuva.

na queda esqueceram de semear as nuvens

deixaram cair o ciúmes e a possessividade de antes
pela profundidade das almas livres
nada de verdade é tão importante, exceto a segurança daquele abraço


-muito espaço nós tivemos, muito espaço de tempo. agora o tempo é diferente.


era pra ser um final, ela recolheu da parede a foto que estavam juntos. Enquanto ele entrou na cozinha e abriu a geladeria, procurando alguma bebida. observando a sala vazia, e já sentindo o vazio da casa há algum tempo, ela lembrou de pegar a bolsa perto da porta. e do isqueiro no criado mudo.

Wednesday, August 05, 2009

incertezas sub-encontradas
vontades perdidas

quando não as queriam mais, se afogam
escorrem pelas vidraças
de sonhos e cores

todas as cores que existiram
quando distraímos nos perceberam

opostos dispostos
magia e teatro
talvez quem sabe legiões
de alegre esquadrias
retalhos em cobertas

te acoberto
te recomponho
com versos uma nova versão de um jazz antigo

antigas histórias sem sentido
deleitosas invenções que nos sorridem

tudo tão completo que parece que vai cair maduro

frágil
frágil

cuidado que quebra
não parte mais
só quebra

quebra o silêncio
com notas musicais...

Tuesday, August 04, 2009

penso
e que pra pensar leva tempo
que não pensamos tudo
porque pensar leva o tempo
que ainda nem possuímos

o tempo leva o sono
que me descuidei e perdi
pensando
em tudo que eu queria e
não fiz
porque se for pra decidir
eu sento e olho
mas quando é pra correr
observo mais um pouco

não me chame pra sair
eu não sei se tenho roupa
mas se quiser fique aqui
posso te emprestar
um pouco do que me deixa
assim
pensando

pensando que pensar não dói
só parece
pensar é o que nos faz
porque fazer não acontece
sem saber pra onde se vai

eu vou pensando em pensar
um pouco mais
antes de pensar menos

e pensando perdi
o que já nem tenho.

Monday, August 03, 2009

voz baixo-barítono..

e uma mente provavelmente já farta do mundo ao seu redor.

me espantei, podia não ser ninguém, mas era e foi, ou talvez deixaria, acho que deixou, porque já era o que precisava, não queria deixar mais nada, foi junto embora, enquanto isso.. tem nada não.. podemos deixar ir, às vezes.. podemos deixar então.. pra que os outros cantem nossas canções.. nossas canções..

Sunday, August 02, 2009

dúvida devida.

Mas e a vida segue se a gente se acaba?
e a dor passa se a gente esquece?

ou só fica escondida
ou seria uma falsa verdade ser assim, tão intensa..
enquanto a vida apenas respira.


é a vida um sopro? ou uma ventania?

Saturday, August 01, 2009

vou seguindo pelas sombras, abraçando o ar.. que me protege....




poesia brasileira influencia, ou quando não impoe uma realidade infinita.
porque a verdade é e está exposta em português. ainda que o português não entenda.



http://www.youtube.com/watch?v=Fo91skLQWNI