quem se importa em morrer?
se não tem nada mais pra se fazer
o que é realmente ruim
pra quem não tem mais nada a perder
e se o vento me carregar pra longe
o quão longe poderia ser?
toda essa tristeza e vazio
são parte de mim
um futuro se perdeu
uma dor se confundiu
com o prazer
saimos na chuva, ninguém se molhou
caimos no abismo que ninguém mais
se atirou
e nem a luz artificial ilumina essa escuridão
nem o fogo que ardia na pele
remediaria tanta tensão
foi feito objeto pra uma pesquisa
fomos feito pesticidas pra nossa própria
plantação
árvores, não estão la
galhos não balançam nem trazem medo
o que é o medo? pra quem realmente não se importa mais
seca
a terra seca no tempo
seco
nada cresce nada brota
desmancha no árido sertão do ser
e desfaz a falsa noção do viver
vivo de pedras
sem mar, sem água, seco
na madrugada, no copo vazio, seco de alguma bebida amarga
me seco em mágoas