Thursday, August 06, 2009

pára-quedas numa exceção

então estavam prontos, tinham um pára-quedas cada um, e joelheiras, sentiam no estômago aquele frio, enquanto o avião subia parecendo um elevador rápido demais, alguém mastigava um chiclé sem gosto. os olhos se procuravam e desviavam como se quisessem criar um ponto de apoio pra o que estava preste a ocorrer. uma verdade devia ser dita, só para no caso do pára-quedas não abrir. eram menos sinceros nessa hora. e o piloto já estava cansado das frases clichê de eu te amo e tal. então se ouviu um grito, EU TE TRAI COM TEU MELHOR AMIGO, A NOITE PASSADA! e pulou. aquela ventania e a tensão de antes se esvaziavam com a pressão atmosferica, era tudo escorrendo do corpo e a leveza do cair cair cair cair. tal alice na toca do coelho, até surgir o sorriso do gato. e um grito EU JÁ SABIA! e os olhares se procuravam, aquela vista lá de baixo ficando maior, o desespero saboroso de cair cair cair cair que desprende as falsas noções de realidade podia ser tudo fantasia. não pensavam. sentiam. TE AMO! e quase juntos falaram TE AMO! outra vez. o sorriso se estendeu...
um sorriso feliz, um se agarrou no outro, e abriram os pára-quedas num abraço.
um abraço seguro de quem não teme a tristeza, nem se apega a bobagem de ser alguém sem asas. voam juntos.


o que ficou pra resolver: não foi jamais discutido.
dialogaram com vinhos, e violões.
era pra ser pra sempre, mas o sempre não existe,
se entendiam com os olhos.
e naquele dia não teve chuva.

na queda esqueceram de semear as nuvens

deixaram cair o ciúmes e a possessividade de antes
pela profundidade das almas livres
nada de verdade é tão importante, exceto a segurança daquele abraço