cansei de ser diferente
vou entender de ser eu
não vou buscar uma grande mudança
as grandes mudanças
vem naturalmente
voltar, se tiver que ser
ir pra onde dá
fazer o possível e nada além
vou continuar te amando até onde
eu conseguir te amar
e quando eu não conseguir mais eu
não vou mais amar
e também não vou odiar não te amar
e nem me odiar por ter
perdido tempo
o tempo não existe no lugar
onde eu reino
minhas muralhas, meus devaneios
minhas virtudes que não estão
expostas na galeria
eu [sou/estou] viva dentro de mim
e fora em carne viva
sou pelanca e músculos flácidos
até a feiura do espelho
tem o dom de me situar no
meu espaço
eu não sou ilimitada
aliás muito ao contrário
bem definida indefinitivamente
bem mesquinha e internamente
pessoal não me queira mal nem me queira
eu não estou aqui pra sempre
sou fruto da primavera
sou folhas de uma árvore, uma mangueira
minha base vem do tamborim
meus passos estão pelas cordas
em corda bamba e noite lenta
eu vou me desfalecendo
feito espuma no vento
feito bolha de sabão
explodo ás vezes
e esse ás vezes
pode ser todo o dia
mas na maioria dos dias
não
eu venho de um lugar e
caminho em direção ao outro
posso chorar, posso sangrar
socorrer o seu desconsolo
eu não sou tão ingênua
meu olhar é que é descuidado
eu não deixo sobre a mesa
cinzas do cigarro normalmente
lavo o cinzero pra esperar o outro dia
e tem o amanhã que não esquece
e o amanhã vem ronpendo a noite
não há tristeza
eu me utilizo
e não sou instruída
eu congelo
e não sou líquida
vegeto na lua
em busca da cor
que um dia tive
num sonho profundo
vou embora e não fujo
cantante cantinho é nosso
rodeado de flores que os escritores plantaram