Eu me lembro de tudo quando sento no escuro
Do meu quarto imundo meu silêncio profundo
Minha vida incógnita meu fracasso futuro
O hoje, o fim, o enterro no jardim...
Não são defuntos ou animais de estimação
São rosas que estão mortas flores para mim
São odores seus sabores, amores suicidas em vão.
Com seu sorriso enganou meu coração
Com seu olhar ofuscou minha visão
Com seu abraço me tirou os pés do show
E o espetáculo continua sem um goal
Mas minha fama
Que ultrapassa a barreira do som
Sem muito drama
Começa a mudar o tom
Do cinza escuro para o marrom
Da fantasia, miragem
Olhe aqui
Menininha não tem passagem
Vai ficar presa no portão
Meu mundo em mim não sacia
Alegria e diversão
Um blues no saguão
Um jazz na cozinha
Samba no quintal
Na casa da vovó, forró...
E rock’n’roll na vizinha.
Feita a festa
Talvez eu possa implorar
Pra q nunca acabe
Pra eu morrer antes
De o sol chegar
Pra você me levar num carro
Vermelho ou azul não importa
Feita a festa
O mundo resolve
Em silêncio sussurrar
Em meados de outono
Numa nuvem me levar
De chantili ou algodão
De pijama ou de avião
Passar o reveillon
Na França ou no Japão
Comendo tortas ou torradas
Longe daqui viva ou morta
Salvando o livro ou nada.
(série poesias antigas nunca antes publicadas)