Sunday, April 08, 2007

Borbulhas na champagne

“Há uma palavra que persigo
Há nisso algum sentido
Há folhas no outono
Há sorrisos no teu sono

Tem cores incolores
Tem cheiros e sabores
Tem bolsas sem valores
Tem jardins sem flores

Mas ainda há
Beleza no deserto
Vida no espaço
Dúvidas no incerto
Caminhos no passado

Sem vontade não há
Acaso que resista
Sorte que acompanhe
Cantada investida
Borbulhas na champagne

Meu ritmo é sem jeito
Seu olhar secreto
Meu calor despeito
Seu carinho completo

Chame o doutor
Ou cantor
Faça uma música
Ou uma ferida
Corra nas horas, os dias
Corra nos parques, a fome
Corre do inverno, formiga
Corre da tristeza sem nome

Tantas corridas sem correções
Cortar as pernas do corredor
Convictas histórias de terror ?

E você ?

atrapalha meu anjo
Que quase não dá conta
Do trabalho que lhe dou
Toco banjo no telhado
Pra chamar sua atençao
Pego as pontas das estrelas
Para enfeitar sua canção

E o que vc deixou ?

Além de um perfeito passado
De um pátio de piscinas
Um gato preto o outro cinza
Seus olhos azuis
A lágrima escorrida
Desculpa as palavras recortam
As Antigas feridas

Mas agora o que quero
É ser prudente e incontrolável
É viver de desvios
Pegar o bonde atrasado
Voltar de volta pro futuro
Ser amante do pecado
Escrever com pomadas nos muros
E ao fim mas bem ao fim de tudo
Olhar pro lado e sorrir
Embora a gritaria a aclamaçao
De minha consciencia
Mesmo sem o silêncio desejado poder
Fechar os olhos e durmir.


[Série antigas poesias nunca publicadas...]